Hipermobilidade não é doença — mas pode ser o gatilho para dores, fadiga e fibromialgia
Você já viu alguém dobrar o dedinho para trás além dos 90 graus ou encostar a palma no chão sem dobrar o joelho? Parece um truque engraçado. Mas pode ser o sinal de algo que afeta quase 20% da população — e que a maioria das pessoas nunca ouviu falar.
A hipermobilidade articular é uma variação anatômica com forte base genética. Não é doença, não tem cura — mas quando começa a causar sintomas, vira um problema real que precisa de tratamento.
O que é hipermobilidade articular?
Hipermobilidade é a capacidade de uma articulação se mover além da amplitude considerada normal para aquela faixa etária e biotipo. Ela acontece porque o colágeno — proteína responsável pela resistência dos tecidos conjuntivos — tem uma estrutura mais elástica do que o habitual.
Esse traço é hereditário e aparece com frequência em famílias. Um dado que chama atenção: a hipermobilidade está presente em até metade das pessoas com autismo ou TDAH, o que aponta uma relação consistente com a neurodivergência.
Como saber se você é hipermóvel? Faça o teste de Beighton
O Escore de Beighton é o método mais utilizado clinicamente para rastrear hipermobilidade. Você pode testar agora:
Como fazer o teste
🔹 Polegares: consegue encostar o polegar no antebraço? → 1 ponto por lado
🔹 Dedos mindinhos: dobram para trás mais de 90°? → 1 ponto por lado
🔹 Cotovelos: estendem além da linha reta? → 1 ponto por lado
🔹 Joelhos: formam um arco para trás? → 1 ponto por lado
🔹 Tronco: consegue apoiar as palmas no chão sem dobrar os joelhos? → 1 ponto
Pontuação por faixa etária
Crianças e adolescentes: 6 pontos ou mais
Adultos até 50 anos: 5 pontos ou mais
Adultos acima de 50 anos: 4 pontos ou mais
Hipermobilidade x Transtorno do Espectro da Hipermobilidade
Aqui está o ponto que mais gera confusão. Apenas 10% das pessoas hipermóveis desenvolvem repercussões sistêmicas. Mas quando isso acontece — quando a flexibilidade vem acompanhada de dores generalizadas, fadiga crônica, sono ruim, tonturas, enxaqueca, intestino irritável ou ansiedade — o quadro provavelmente evoluiu para o Transtorno do Espectro da Hipermobilidade (TEH).
E a conexão com a fibromialgia é significativa: estudos mostram que mais de 60% dos pacientes com fibromialgia se enquadram no espectro da hipermobilidade.
Hipermobilidade tem tratamento?
A hipermobilidade em si não tem cura — é uma característica do seu corpo. Mas os sintomas que ela provoca têm. Fortalecimento muscular, fisioterapia especializada, controle da dor e ajustes na rotina são capazes de transformar a qualidade de vida de quem convive com o TEH.
O primeiro passo é o diagnóstico correto — feito por um reumatologista com experiência nessa condição.
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Referências Bibliográficas
1 Hakim A. et al. Hypermobility, fibromyalgia and chronic pain. Churchill Livingstone, 2010. PubMed
2 Castori M. et al. A framework for the classification of joint hypermobility and related conditions. American Journal of Medical Genetics, 2017. PubMed Dr. Andrei de Oliveira Rosas | Médico
CRM: 52-88881-8 | RQE: 16731 e 19239



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