Método GDS: o que a Estrutura Biomecânica conta sobre a história do seu corpo.
Atualizado: há 1 dia
Quando alguém chega ao consultório com dor, a pergunta mais comum é onde dói. No método GDS, a pergunta que vem junto é outra: como esse corpo chegou até aqui?
A ideia é que a postura, o alinhamento e a forma do esqueleto não surgem por acaso. Eles refletem anos de movimento, hábitos, lesões e adaptações. Ler essa história ajuda a entender por que a dor aparece onde aparece.
O que é O Método GDS?
O método de Cadeias Musculares e Articulares GDS foi desenvolvido pela fisioterapeuta belga Godelieve Denys-Struyf, a partir das décadas de 1960 e 1970. Ele parte de uma premissa: problemas posturais raramente vêm de um músculo isolado. Costumam resultar de um conjunto de fatores que envolve o corpo inteiro e a forma como a pessoa vive e se move.
As chamadas cadeias musculares são conjuntos de músculos e articulações que se organizam de maneira integrada, da cabeça aos pés, e que influenciam a postura e o gesto.
Como o GDS enxerga os ossos?
Mais do que alavancas mecânicas
Na visão tradicional, o osso é uma estrutura de sustentação, uma alavanca sobre a qual os músculos atuam. No método GDS, a estrutura óssea também é vista como a arquitetura profunda do corpo, moldada ao longo da vida..
O esqueleto como registro do movimento
Segundo essa leitura, as cadeias musculares atuam todos os dias sobre o esqueleto, e a forma e a disposição dos ossos tornam visível o resultado desse trabalho acumulado. Gravidade, movimento, hábitos e lesões deixam marcas na organização corporal.
O que muda na avaliação GDS?
Ler o terreno antes de tratar
Na avaliação, observar a estrutura biomecânica significa ler o terreno sobre o qual os músculos atuam. O objetivo vai além de localizar a dor ou a limitação: é entender como o corpo inteiro se organizou para viver e se mover ao longo do tempo.
Do sintoma à origem
Por isso, o método busca compreender o padrão antes de tratar o sintoma. Uma dor pode ter origem em uma região diferente de onde aparece, e a avaliação procura identificar essas relações.
O que a pesquisa mostra?
O método GDS tem estudos clínicos, principalmente em dor lombar. Um ensaio clínico randomizado publicado na revista Spine comparou o tratamento GDS com a fisioterapia convencional em pacientes com dor lombar inespecífica na atenção primária. Seis meses depois, o grupo GDS manteve a dor reduzida, enquanto o grupo controle voltou aos valores iniciais.
Um estudo brasileiro com 55 pacientes com dor lombar crônica também mostrou que a sequência de alongamentos do método reduziu a dor e a incapacidade funcional e melhorou a flexibilidade global.
Vale a ressalva: esses estudos avaliam o tratamento da dor lombar. A leitura da estrutura biomecânica como história do corpo é um referencial clínico do método, e não uma conclusão comprovada por esses ensaios.
Conclusão
Tratar o corpo começa por compreendê-lo. O método GDS propõe olhar para a estrutura óssea e para as cadeias musculares como parte de uma história que vem sendo escrita há anos, e usar essa leitura para orientar o cuidado. Se você convive com dores recorrentes ou sente que o corpo carrega padrões que ninguém explicou, uma avaliação pode ajudar a entender de onde eles vêm.
Referências Bibliográficas
1 Effectiveness of the physical therapy Godelive Denys-Struyf method for nonspecific low back pain: primary care randomized control trial. Spine, 2009;34(15):1529-1538. PubMed
2 Alongamento muscular na dor lombar crônica inespecífica: uma estratégia do método GDS. Fisioterapia e Pesquisa, 2011;18(2):116-121. DOI 3 O método de cadeias musculares e articulares de G.D.S.: uma abordagem somática. Movimento, 1998;4(8). Artigo
Fatima Rosas | Fisioterapeuta
CREFITO: 20545-F



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